Entre os países do futebol árabe, o Qatar é o que oferece as maiores vantagens financeiras a jogadores e treinadores. Os salários costumam ser melhores e existem diversos tipos de premiação. O artilheiro do campeonato ganha R$ 160 mil, o destaque de cada partida embolsa R$ 2,5 mil e uma simples vitória que agrade ao sheik também pode render dividendos. Dentro e fora de campo, o Qatar é aberto aos estrangeiros. Cada equipe pode ter até quatro jogadores não-nascidos no país, além daqueles que se naturalizam. E uma naturalização pode levar a outra boa proposta financeira: defender a seleção local. Há alguns anos, o Qatar apostou em craques em fim de carreira para chamar a atenção para o seu campeonato. Jogaram lá Gabriel Batistuta, Marcel Desailly, Guardiola e Fernando Hierro. Hoje, o perfil dos contratados mudou.
O país prefere jogadores como Felipe, Araújo e Roger, todos na casa dos 30 anos mas ainda longe da decadência técnica. Fora de campo, também há atrativos para os estrangeiros. Há isenção total de impostos e flexibilidade nos costumes árabes. Assim como nos Emirados Árabes, por exemplo, a mulher não é obrigada a vestir uma burka ao sair nas ruas. O atacante Rodrigão, do Vitória, que já passou pela Arábia Saudita e conversou com jogadores que estiveram no Qatar e nos Emirados, estabeleceu um ranking. “Analisando a questão financeira, coloco Qatar em primeiro lugar, Emirados em segundo e Arábia Saudita em terceiro. Para se viver, a ordem é Emirados, Qatar e Arábia. E pelo nível do futebol: Arábia, Qatar e Emirados”. Os salários são melhores no Qatar, o que não exclui a possibilidade de atraso no pagamento.
O hoje santista Fabiano Eller ficou dois meses sem receber no Al Wakra, em 2005, e chegou a ouvir dos dirigentes que não poderia sair do país. O meia Ramon, do Vitória, ainda tem dois meses de salários devidos pelo Al Gharrafa. Porém, riscos desse tipo são cada vez menores.
“Os contratos hoje são mais claros do que há cinco anos, porque países como Qatar, Emirados Árabes e Arábia Saudita entraram no contexto internacional e perceberam que poderiam ser punidos pela Fifa. Percebo um avanço na questão legal e vejo que já não existe tanto medo de negociar com essa região” comenta o advogado Marcos Motta.






































